Manual de cálculo do IQTPC

Metodologia de cálculo e origem de todas as métricas

Documento de referência: Parâmetros nacionais de qualidade do transporte público coletivo (documento principal) e Anexos I a IV Base normativa: Lei nº 15.432/2026, arts. 12, 13 e 31; Lei nº 12.587/2012, art. 16, IX e X Natureza: documento de referência para o cálculo. Em caso de divergência com o documento principal ou com os anexos, prevalece este Manual


Sumário

  1. Objeto e convenções
  2. Estrutura de cálculo em cinco níveis
  3. Origem dos dados: as quatro fontes
  4. Passo 1, normalização das métricas
  5. Passo 2, fator A
  6. Passo 3, subíndices de desempenho
  7. Passo 4, fator D
  8. Passo 5, IQTPC e suas versões
  9. Período de referência, periodicidade e publicação
  10. Quadro-síntese de origem de todas as métricas
  11. Exemplo numérico completo
  12. Pré-requisitos de implantação
  13. Definições pendentes do dicionário de dados

1. Objeto e convenções

Este manual consolida em um único documento a metodologia de cálculo do Índice de Qualidade do Transporte Público Coletivo e a origem de cada uma das suas métricas: 29 métricas objetivas mais o bloco de percepção (P), que reúne 9 dimensões compostoras e 1 de acompanhamento. Contadas as dimensões de P, são 39 variáveis de entrada; contado P como um bloco, são 30 linhas de cálculo. Substitui, para efeito de cálculo, as descrições dispersas no documento principal e nos anexos, que permanecem como fundamentação.

Convenções:

  • Métricas são identificadas por código no formato X-nn, em que X é o fator ou subíndice (A, C, S, P, F, V, E, M).
  • Toda métrica é convertida a uma pontuação de 1 a 10 antes de qualquer agregação. Nenhum cálculo é feito sobre a métrica bruta.
  • A origem de cada variável é classificada nas quatro fontes da seção 3, e a situação da fonte em três estados: existe, a implantar (a fonte existe mas o fluxo ainda não) e a criar (a fonte não existe).
  • Os valores de piso e referência apresentados são indicativos e constituem, quando fixados por portaria, as normas de referência nacionais de qualidade do art. 16, IX, da Lei nº 12.587/2012.
  • Os pesos apresentados são propostas e estão sujeitos a consulta pública antes da fixação por portaria.

2. Estrutura de cálculo em cinco níveis

Nível 5   IQTPC = A × D                                    (escala 0 a 10)
             │
Nível 4   A = (A_cob × A_op)^0,5        D = Π Xᵢ^wᵢ         (A de 0 a 1; D de 1 a 10)
             │                              │
Nível 3   A_cob, A_op                    C, S, P, F, V, E, M  (cada um de 1 a 10)
             │                              │
Nível 2   pontuação de cada métrica, de 1 a 10 (normalização contra piso e referência)
             │
Nível 1   métrica bruta, na unidade própria (percentual, anos, ocorrências por milhão etc.)

Regras de agregação por nível:

Passagem Método Razão
Nível 1 para 2 Normalização linear com piso e referência, ou bilateral com platô Torna as métricas comparáveis
Nível 2 para 3 Média aritmética ponderada dos componentes dentro de cada subíndice Componentes de um mesmo subíndice são parcialmente substituíveis e alguns são declaratórios; a média aritmética tolera isso
Nível 3 para 4 Média geométrica ponderada dos subíndices Subíndices não são substituíveis entre si; a média geométrica impede compensação
Nível 4 para 5 Produto A × D Acesso e desempenho se travam mutuamente

3. Origem dos dados: as quatro fontes

Toda variável do IQTPC vem de uma das quatro origens abaixo. A distinção entre as duas primeiras responde à pergunta central deste manual: o que vem de fonte já consolidada e o que vem da plataforma nacional de dados.

Sigla Fonte Natureza O que fornece
FC Fontes consolidadas externas ao setor Bases federais já existentes, com série histórica e governança própria Grade estatística e setores censitários do Censo 2022 (IBGE); RAIS georreferenciada; SIM e SIH (DATASUS); RENAVAM (SENATRAN); preços de combustível (ANP); rede viária e de pedestres (OpenStreetMap); fatores de emissão (CETESB, Inventário Nacional)
PA PNDTPC, módulo automatizado Dado operacional gerado pela própria operação e ingerido pela plataforma sem intervenção humana GTFS estático (oferta programada); GTFS-RT ou AVL (posição e passagem de veículos); bilhetagem eletrônica (embarques por viagem e trecho)
PC PNDTPC, módulo cadastral e de registro Informação estrutural ou de evento fornecida pelo titular ou operador na plataforma, com validação amostral Cadastro de sistemas e contratos; cadastro de frota individualizado; cadastro tarifário; cadastro de infraestrutura (pontos, terminais, estações); registro de sinistros com vítima; registro de ocorrências de segurança pessoal; registro de interrupções; ouvidoria; metas do planejamento
PU PeMOB Usuário Pesquisa amostral de percepção junto a usuários e não usuários Todas as dimensões do subíndice P

Uma regra decorre da tabela: nenhuma variável é pedida ao ente se puder ser obtida de FC ou calculada a partir de PA. A categoria PC existe apenas para o que não tem rastro digital nem base externa.


4. Passo 1, normalização das métricas

4.1 Métrica monotônica, em que maior é melhor

Pontuação = 1 + 9 × min(1, max(0, (x − x_piso) ÷ (x_ref − x_piso)))

4.2 Métrica monotônica, em que menor é melhor

Pontuação = 1 + 9 × min(1, max(0, (x_piso − x) ÷ (x_piso − x_ref)))

Em ambas, x_piso é o valor a partir do qual se atribui pontuação mínima e x_ref o valor de serviço adequado pleno, que recebe pontuação máxima.

4.3 Métrica bilateral, com faixa ótima

Aplicável quando tanto o excesso quanto a falta são defeitos. Dentro da faixa ótima [x_inf, x_sup] a pontuação é 10. Fora, decresce linearmente até 1 nos extremos x_min e x_max, com fatores de assimetria k_inf e k_sup.

p_inf = k_inf × (x_inf − x) ÷ (x_inf − x_min)      se x < x_inf, senão 0
p_sup = k_sup × (x − x_sup) ÷ (x_max − x_sup)      se x > x_sup, senão 0
Pontuação = 1 + 9 × [1 − min(1, max(p_inf, p_sup))]

4.4 Por que o piso é 1 e não 0

A média geométrica do nível 4 anula o conjunto se qualquer subíndice for zero. Com piso 1, o pior desempenho possível ainda pesa fortemente (um subíndice em 1 reduz D de forma expressiva) sem aniquilar o resultado. A escala final permanece de 0 a 10 porque o fator A varia de 0 a 1.

4.5 Valores de referência por modo

Os valores de piso e referência são definidos por modo (ônibus, BRT, VLT, metrô, trem, hidroviário) e, onde relevante, por porte. Uma frota ferroviária com idade média de 20 anos pode estar adequada; uma frota de ônibus com 10, não. Sistemas multimodais têm cada subíndice calculado por modo e agregado por passageiros-quilômetro ou, na ausência, por embarques.


5. Passo 2, fator A

A = (A_cob × A_op)^0,5            versão madura
A = A_cob                          versão inicial, onde A_op não for calculável
Código Métrica Fórmula Variáveis e origem Situação
A-01 Cobertura espacial e de frequência População residente a até 500 m (por rede de pedestres) de parada com intervalo médio no pico ≤ 20 min, ou a até 1.000 m de estação de média ou alta capacidade ÷ população urbana total População por célula: FC, grade estatística do Censo 2022. Paradas, estações e intervalos: PA, GTFS estático. Rede de pedestres: FC, OpenStreetMap Existe onde há GTFS
A-02 Acessibilidade a oportunidades Empregos formais alcançáveis em até 60 min por TPC, ponderados pela população de origem ÷ total de empregos formais da área Empregos: FC, RAIS georreferenciada. Tempos: roteamento sobre PA (GTFS) e FC (rede de pedestres), conforme metodologia do Projeto Acesso a Oportunidades do IPEA Existe nas RMs cobertas pelo IPEA; a implantar nas demais

O fator A varia de 0 a 1 e não passa por normalização: já é uma proporção. Na versão simplificada (seção 8.3), A-01 é substituído por cobertura de traçado sem frequência, a partir de geometria de linhas fornecida pelo titular (PC).


6. Passo 3, subíndices de desempenho

Cada subíndice é a média aritmética ponderada das pontuações de seus componentes, resultando em valor de 1 a 10.

6.1 Subíndice C, confiabilidade (peso 0,22 em D)

C = 0,40·C-01 + 0,25·C-02 + 0,20·C-03 + 0,15·C-04
Código Métrica Fórmula da métrica bruta Variáveis e origem Piso / Referência (ônibus) Situação
C-01 Cumprimento de viagens Viagens realizadas ÷ viagens programadas, no período Programadas: PA, GTFS estático (trips). Realizadas: PA, GTFS-RT ou AVL, com viagem considerada realizada se detectada em ao menos 80% dos pontos de controle 85% / 99% A implantar
C-02 Pontualidade % de partidas de terminal com desvio entre −1 e +3 min do programado Programado: PA, GTFS (stop_times). Real: PA, AVL 50% / 90% A implantar
C-03 Continuidade Horas-passageiro perdidas em interrupções não programadas ÷ horas-passageiro ofertadas, por mil Interrupções (linha, início, fim, causa): PC, registro obrigatório do titular, validado por inferência sobre AVL. Passageiros habituais da linha: PA, bilhetagem, média de 12 meses 5,0 / 0,2 A criar
C-04 Regularidade de intervalo Coeficiente de variação do intervalo observado entre veículos sucessivos, em linhas com intervalo programado ≤ 10 min PA, AVL 0,60 / 0,20 A implantar

6.2 Subíndice S, segurança (peso 0,18 em D)

S = 0,45·S-01 + 0,40·S-02 + 0,15·S-03
Código Métrica Fórmula da métrica bruta Variáveis e origem Piso / Referência (ônibus) Situação
S-01 Sinistros com vítima Versão inicial: (óbitos + lesões graves em sinistros com veículo do sistema) ÷ milhão de quilômetros rodados. Versão madura: ÷ 100 milhões de passageiros-quilômetro Óbitos e lesões: PC, registro padronizado de sinistros com vítima, preenchido pelo operador e validado pelo titular, com cruzamento amostral em FC (SIM, CID-10 V70 a V79 e V04; SIH para internações). Quilômetros: PA, AVL. Passageiros-quilômetro: PA, bilhetagem com inferência de desembarque A calibrar no piloto A criar
S-02 Ocorrências de segurança pessoal Ocorrências de importunação, assédio sexual, injúria e discriminação registradas ÷ milhão de embarques Ocorrências: PC, registro padronizado na plataforma com tipologia única, alimentado por ouvidoria do titular e canal do operador. Embarques: PA, bilhetagem A calibrar no piloto A criar
S-03 Canais de denúncia Pontuação 1 se não houver canal conforme art. 16, X; havendo canal, pontuação do tempo médio de resposta PC, cadastro e sistema de ouvidoria do titular 30 dias / 5 dias A implantar

Nota: S-01 e S-02 são publicados desagregados por gênero da vítima sempre que a base permitir.

6.3 Subíndice P, percepção e satisfação (peso 0,17 em D, ou 0,08 a 0,10 no cenário mínimo)

P = média aritmética ponderada das dimensões do núcleo comum da pesquisa
Código Dimensão Origem Situação
P-01 a P-10 Tempo e regularidade; lotação e conforto; frota; segurança viária; segurança pessoal; acessibilidade; informação; tratamento; custo; avaliação global PU, PeMOB Usuário, escala de 1 a 5 convertida linearmente para 1 a 10 A criar

A avaliação global (P-10) é publicada mas não compõe P, por efeito de halo. P só compõe D quando o sistema tiver sido pesquisado no ciclo corrente ou no anterior.

6.4 Subíndice F, conveniência e conforto (peso 0,13 em D)

F = 0,28·F-01 + 0,18·F-02 + 0,17·F-03 + 0,15·F-04 + 0,13·F-05 + 0,09·F-06
Código Métrica Fórmula da métrica bruta Variáveis e origem Piso / Referência (ônibus) Situação
F-01 Adequação da oferta Média das pontuações de dois lados. Superlotação: % de viagens no pico com densidade > 5 pass/m² (monotônica, menor é melhor). Ociosidade: passageiros-km ÷ lugares-km no dia típico (bilateral) Passageiros a bordo por trecho: PA, bilhetagem com inferência de desembarque; alternativa PC, pesquisa visual de ocupação. Capacidade: PC, cadastro de frota. Lugares-km: PA, GTFS × cadastro Superlotação 40% / 5%. Ociosidade: faixa ótima 0,20 a 0,45; extremos 0,10 e 0,60; k_inf 0,7; k_sup 1,0 A implantar (exige método de inferência)
F-02 Salubridade e condições sanitárias 0,5 × pontuação de vistoria de limpeza dos veículos + 0,5 × % de terminais e estações com sanitário em funcionamento e água potável Vistorias: PC, fiscalização do titular. Terminais: PC, cadastro de infraestrutura, verificação amostral Vistoria: escala própria. Terminais: 30% / 100% A criar (cadastro de infraestrutura)
F-03 Tempo de viagem relativo Média ponderada por população de [tempo porta a porta por TPC ÷ tempo por automóvel] em amostra de pares origem-destino Tempo TPC: roteamento central sobre PA (GTFS) e FC (rede de pedestres). Tempo automóvel: roteamento sobre FC (OpenStreetMap) com velocidades de pico. Pares: FC, grade estatística e RAIS 3,0 / 1,5 Existe onde há GTFS
F-04 Condições de espera % de pontos de parada com abrigo, assento e iluminação, ponderado por embarques Atributos: PC, cadastro de pontos. Embarques por ponto: PA, bilhetagem 20% / 90% A criar (cadastro de pontos)
F-05 Informação ao passageiro 0,6 × pontuação digital (10 se há GTFS público e aplicativo ou sítio com horários; 5,5 se há apenas um; 1 se nenhum) + 0,4 × pontuação de % de pontos com informação física Digital: verificação central sobre PA e cadastro. Físico: PC, cadastro de pontos com verificação amostral Binário / 90% Digital existe; físico a criar
F-06 Atendimento a manifestações 0,5 × pontuação de tempo médio de resposta + 0,5 × taxa de resolução PC, sistema de ouvidoria do titular, padronizado 30 dias / 10 dias; 50% / 90% A implantar

Conforto térmico e acústico não integra o índice objetivo, por não haver fonte objetiva viável (Anexo I). É medido exclusivamente pela dimensão “lotação e conforto” de PU.

6.5 Subíndice V, frota (peso 0,12 em D)

V = 0,30·V-01 + 0,20·V-02 + 0,20·V-03 + 0,10·V-04 + 0,20·V-05
Código Métrica Fórmula da métrica bruta Variáveis e origem Piso / Referência (ônibus) Situação
V-01 Idade média da frota Média da idade (ano corrente − ano de fabricação) dos veículos em operação Ano de fabricação por veículo: PC, cadastro de frota com placa e chassi, validado em FC, RENAVAM 10 anos / 5 anos Existe após acordo com SENATRAN
V-02 Cauda de frota envelhecida % de veículos com idade superior ao limite regulamentar local Idem; limite: PC, regulamento do titular 25% / 0% Existe após acordo
V-03 Disponibilidade operacional Veículos com posição no pico ÷ frota cadastrada Operante: PA, AVL. Cadastrada: PC 70% / 90% A implantar
V-04 Frota reserva Frota reserva ÷ frota operante no pico Reserva: PC, declarada. Operante: PA Bilateral: faixa ótima 8% a 15%; extremos 0% e 30%; k_inf = k_sup = 1,0 A implantar
V-05 Acessibilidade universal % de veículos com acessibilidade plena PC, cadastro de frota, vistoria do titular; RENAVAM não registra 60% / 100% A implantar

6.6 Subíndice E, ambiental (peso 0,10 em D)

E = 0,30·E-01 + 0,15·E-02 + 0,20·E-03 + 0,20·E-04 + 0,15·E-05
Código Métrica Fórmula da métrica bruta Variáveis e origem Piso / Referência (ônibus) Situação
E-01 Eletrificação % da frota com tração elétrica ou célula a combustível PC, cadastro de frota, validado em FC, RENAVAM (combustível e tração) 0% / 50% Existe após acordo
E-02 Combustíveis renováveis % da frota com combustível renovável Idem 0% / 100% Existe após acordo
E-03 Emissões locais (MP + NOx) por passageiro-quilômetro ou por embarque Km por tipo de veículo: PA, AVL. Fatores: FC, CETESB. Denominador: PA A calibrar A implantar
E-04 Emissões de GEE CO2e por passageiro-quilômetro ou por embarque Idem, fatores do Inventário Nacional A calibrar A implantar
E-05 Cumprimento de meta própria Emissão apurada ÷ meta do planejamento (art. 9º, §1º); titular sem meta fixada recebe pontuação 1 Meta: PC, planejamento do titular. Apuração: E-04 130% / 100% A implantar

6.7 Subíndice M, modicidade (peso 0,08 em D)

M = 0,35·M-01 + 0,15·M-02 + 0,20·M-03 + 0,30·M-04
Código Métrica Fórmula da métrica bruta Variáveis e origem Piso / Referência Situação
M-01 Esforço tarifário (tarifa × 44) ÷ renda domiciliar per capita mensal do primeiro quintil Tarifa: PC, cadastro tarifário, atualizado por evento. Renda: FC, Censo 2022 por setor censitário 15% / 4% Existe
M-02 Comparação intermodal Custo mensal por TPC ÷ custo mensal por automóvel em viagem equivalente Tarifa: PC. Custo automóvel: modelo central com FC (ANP, consumo médio, distância típica da amostra de F-03) 0,8 / 0,3 Existe
M-03 Integração tarifária Pontuação por existência de integração temporal, tarifária e intermodal PC, cadastro tarifário Escala 1 a 10 por tipo Existe
M-04 Sustentação extratarifária Receita de fontes extratarifárias e subsídio ÷ receita total do sistema PC, dados contratuais e financeiros do titular (a PeMOB já coleta) 0% / 50% Existe

Sistemas com tarifa zero: M-01 e M-02 recebem 10; M-04 passa a medir a estabilidade da fonte de custeio.


7. Passo 4, fator D

7.1 IQTPC-Completo, com P

D = C^0,22 × S^0,18 × P^0,17 × F^0,13 × V^0,12 × E^0,10 × M^0,08

Equivalente computacional, mais estável numericamente:

D = exp( Σᵢ wᵢ × ln(Xᵢ) )

7.2 IQTPC-Completo com P em peso reduzido

Enquanto a PeMOB Usuário operar no cenário mínimo viável (Anexo II, seção 12.6), em que a amostra sustenta apenas a média do sistema, P entra com peso reduzido w_P', fixado por portaria na faixa de 0,08 a 0,10. Os demais pesos são renormalizados pela regra geral:

wᵢ' = wᵢ × (1 − w_P') ÷ 0,83          para i em {C, S, F, V, E, M}

Com w_P' = 0,10, os pesos resultantes são:

Subíndice Peso original Peso com P em 0,10
C 0,22 0,239
S 0,18 0,195
P 0,17 0,100
F 0,13 0,141
V 0,12 0,130
E 0,10 0,108
M 0,08 0,087

A versão é publicada com a denominação IQTPC-Completo e a indicação do peso de P vigente no ciclo.

7.3 IQTPC-Objetivo, sem P

Os pesos dos seis subíndices objetivos são divididos por 0,83 (caso particular da regra acima, com w_P' = 0):

D = C^0,265 × S^0,217 × F^0,157 × V^0,145 × E^0,120 × M^0,096

7.4 Ausência de subíndice por falta de dado

Se, além de P, outro subíndice não for calculável para um sistema, o índice não é publicado para aquele sistema naquele ciclo. Não se admite imputação nem renormalização adicional. A regra evita que o índice de um sistema seja calculado sobre subconjunto arbitrário de dimensões.


8. Passo 5, IQTPC e suas versões

8.1 Fórmula geral

IQTPC = A^α × D            com α = 1 na versão inicial

8.2 Versões e denominações

Versão Fórmula Quando se aplica Comparável com
IQTPC-Completo A × D com sete subíndices Sistema com dado automatizado e pesquisado no ciclo Apenas outros Completos
IQTPC-Objetivo A × D com seis subíndices renormalizados Sistema com dado automatizado, sem pesquisa no ciclo Apenas outros Objetivos
IQTPC-Simplificado A_esp × (V^0,6 × M^0,4) Sistema sem dado automatizado, situação S2 Apenas outros Simplificados
Não aplicável Sem cálculo Município sem sistema, situações S3 e S4 Indicador de cobertura nacional

8.3 IQTPC-Simplificado

A_esp  = população urbana a até 500 m do traçado de qualquer linha ÷ população urbana total
IQTPC-S = A_esp × (V^0,6 × M^0,4)

Onde A_esp usa geometria de linhas fornecida pelo titular (PC) sem informação de frequência, V é calculado sobre o cadastro de frota validado no RENAVAM, com V-03 e V-04 excluídos e pesos renormalizados (V-01 0,43; V-02 0,29; V-05 0,29) e M sobre o cadastro tarifário. Mede acesso espacial, atualidade da frota e modicidade, que são os três atributos que um sistema pequeno consegue informar e a União consegue verificar.

8.4 Indicadores satélites, publicados junto ao índice

Indicador Fórmula Origem
IQTPC-Equidade IQTPC do quintil de menor renda ÷ IQTPC do quintil de maior renda, calculado sobre A, C, F e V territorializados FC (Censo, renda por setor) e PA
Déficit de Acesso ao TPC Número absoluto de pessoas sem serviço adequado, por natureza da inadequação FC, PA e PU
Painel de produtividade IPK, km por veículo, passageiros por veículo, custo por km, subsídio por passageiro PA e PC

9. Período de referência, periodicidade e publicação

Item Regra
Período de referência Ano civil. Métricas operacionais (C, F-01, V-03, V-04, E-03, E-04) calculadas sobre dias úteis fora de férias escolares, excluídos feriados nacionais, estaduais e municipais e dias com interrupção registrada em C-03
Pico Duas horas consecutivas de maior carregamento na manhã e duas na tarde, determinadas por sistema a partir da bilhetagem do ano anterior
Apuração Contínua para PA; anual para PC; bienal para PU
Consolidação Fevereiro do ano seguinte
Versão preliminar ao titular Março, com 30 dias para manifestação
Publicação Junho do ano seguinte, junto ao certificado de adimplência do art. 13
Revisão de valores de referência Bienal, por portaria, com consulta pública
Revisão de pesos e componentes Quadrienal, por portaria, com consulta pública; nunca vale para o ciclo em curso
Ciclo da PeMOB Usuário Coleta em anos ímpares (piloto 2027, primeiro ciclo 2029, segundo 2031), para evitar ano de eleição municipal
Unidade de cálculo O titular (art. 8º). Onde constituída unidade regional de TPC (art. 6º, XVII), ela é o titular para efeito do índice. Agregações por região metropolitana são informativas; as consequências dos arts. 21 e 28 incidem por titular
Sistemas multimodais e múltiplos operadores Cada subíndice é calculado por modo e agregado por passageiros-quilômetro ou, na ausência de inferência de desembarque, por embarques
Embarques Validações na bilhetagem mais estimativa padronizada da parcela não validada (gratuidades, evasão), pelo método do PNDTPC. Denominadores usam embarques, não deslocamentos, e a limitação (sistemas com integração contam mais embarques por deslocamento) é declarada
Arredondamento IQTPC e fatores A e D com uma casa decimal na divulgação; subíndices com uma casa; cálculo interno sem arredondamento
Selo de origem do dado Cada valor publicado traz a marcação automatizado, declarado ou auditado, no modelo do SNIS, e o índice do sistema traz o percentual de componentes em cada categoria

10. Quadro-síntese de origem de todas as métricas

Resposta direta à pergunta: o que vem de fonte já consolidada e o que vem da plataforma nacional.

Código Métrica Fonte consolidada (FC) PNDTPC automatizado (PA) PNDTPC cadastral (PC) PeMOB Usuário (PU) Situação
A-01 Cobertura Censo, OSM GTFS Existe com GTFS
A-02 Oportunidades RAIS, OSM GTFS Existe em RMs
C-01 Cumprimento GTFS, AVL A implantar
C-02 Pontualidade GTFS, AVL A implantar
C-03 Continuidade Bilhetagem, AVL Registro de interrupções A criar
C-04 Regularidade AVL A implantar
S-01 Sinistros SIM, SIH (validação) AVL, bilhetagem Registro de sinistros A criar
S-02 Segurança pessoal Bilhetagem Registro de ocorrências A criar
S-03 Canais Ouvidoria A implantar
P-01 a P-10 Percepção Pesquisa A criar
F-01 Adequação da oferta Bilhetagem, GTFS Frota A implantar
F-02 Salubridade Vistoria, infraestrutura A criar
F-03 Tempo relativo OSM, Censo, RAIS GTFS Existe com GTFS
F-04 Espera Bilhetagem Pontos A criar
F-05 Informação GTFS Pontos Parcial
F-06 Manifestações Ouvidoria A implantar
V-01 Idade média RENAVAM Frota Existe com acordo
V-02 Cauda RENAVAM Frota, regulamento Existe com acordo
V-03 Disponibilidade AVL Frota A implantar
V-04 Reserva AVL Frota A implantar
V-05 Acessibilidade Frota, vistoria A implantar
E-01 Eletrificação RENAVAM Frota Existe com acordo
E-02 Renováveis RENAVAM Frota Existe com acordo
E-03 Emissões locais CETESB AVL, bilhetagem A implantar
E-04 GEE Inventário AVL, bilhetagem A implantar
E-05 Meta própria Planejamento A implantar
M-01 Esforço tarifário Censo Tarifa Existe
M-02 Intermodal ANP, OSM Tarifa Existe
M-03 Integração Tarifa Existe
M-04 Extratarifária Contratos Existe

Contagem por origem predominante:

Origem Métricas Percentual
Fonte consolidada, com ou sem apoio da plataforma 9 30%
PNDTPC automatizado como fonte principal 8 27%
PNDTPC cadastral ou de registro como fonte principal 12 40%
PeMOB Usuário 1 bloco (P) 3%
Total de linhas de cálculo (29 métricas objetivas e o bloco P) 30

Nota: contagem por origem predominante; várias métricas combinam mais de uma origem, como mostra o quadro. A correspondência com as classes de viabilidade V1 a V4 está no Anexo I, seção 4.

Contagem por situação:

Situação Métricas
Existe hoje ou após acordo com SENATRAN 11
A implantar (fonte existe, fluxo não) 12
Parcial (digital existe, físico a criar) 1
A criar (fonte não existe) 6, contando P como um bloco
Total 30

11. Exemplo numérico completo

Sistema hipotético de ônibus, porte médio-grande, sem pesquisa de percepção no ciclo (IQTPC-Objetivo).

11.1 Normalização de quatro métricas, para ilustrar o passo 1

Métrica Valor bruto Piso Referência Sentido Pontuação
C-01, cumprimento 96% 85% 99% maior é melhor 1 + 9 × (96−85)/(99−85) = 8,07
C-02, pontualidade 72% 50% 90% maior é melhor 1 + 9 × (72−50)/(90−50) = 5,95
V-01, idade média 6,2 anos 10 5 menor é melhor 1 + 9 × (10−6,2)/(10−5) = 7,84
M-01, esforço tarifário 9% da renda 15% 4% menor é melhor 1 + 9 × (15−9)/(15−4) = 5,91

Bilateral, lado da ociosidade em F-01: aproveitamento de 0,17, abaixo da faixa ótima de 0,20. p_inf = 0,7 × (0,20−0,17)/(0,20−0,10) = 0,21. Pontuação = 1 + 9 × (1 − 0,21) = 8,11.

11.2 Subíndices, passo 3

Subíndice Pontuações dos componentes Cálculo Resultado
C 8,07; 5,95; 7,00; 5,50 0,40×8,07 + 0,25×5,95 + 0,20×7,00 + 0,15×5,50 6,94
S 6,00; 5,00; 8,00 0,45×6 + 0,40×5 + 0,15×8 5,90
F 6,50; 4,00; 5,00; 3,50; 8,00; 6,00 0,28×6,5 + 0,18×4 + 0,17×5 + 0,15×3,5 + 0,13×8 + 0,09×6 5,50
V 7,84; 8,00; 8,50; 6,00; 7,50 soma ponderada 7,75
E 2,00; 3,00; 4,00; 4,50; 6,00 soma ponderada 3,65
M 5,91; 7,00; 10,00; 4,00 soma ponderada 6,32

11.3 Fator D, passo 4, versão Objetivo

Pesos renormalizados: C 0,265; S 0,217; F 0,157; V 0,145; E 0,120; M 0,096.

D = exp(0,265·ln 6,94 + 0,217·ln 5,90 + 0,157·ln 5,50 + 0,145·ln 7,75 + 0,120·ln 3,65 + 0,096·ln 6,32)
D = 6,02

Observe o efeito da média geométrica: a média aritmética ponderada dos seis subíndices seria 6,15, pouco acima, porque nenhum está muito baixo. Se E fosse 1,0 em vez de 3,65, a aritmética cairia para 5,83 e a geométrica para 5,15. A penalização por dimensão muito fraca é o comportamento desejado.

11.4 Fator A, passo 2

A-01 = 0,82 (cobertura); A-02 = 0,55 (oportunidades).

A = (0,82 × 0,55)^0,5 = 0,672

11.5 IQTPC, passo 5

IQTPC-Objetivo = 0,672 × 6,02 = 4,04

Divulgação: IQTPC-Objetivo 4,0, cobertura 67%, desempenho 6,0. Decomposição obrigatória: os dois subíndices que mais deprimem o resultado são E (3,65) e F (5,50).

Se o sistema tivesse sido pesquisado com P = 6,2, o IQTPC-Completo seria 0,672 × 6,05 = 4,06.

11.6 O mesmo sistema na versão simplificada, para comparação

Com A_esp = 0,88 (cobertura de traçado, sem frequência), V recalculado sem V-03 e V-04 = 7,79 e M = 6,32:

IQTPC-S = 0,88 × (7,79^0,6 × 6,32^0,4) = 6,30

O valor é muito superior ao da versão completa, o que ilustra por que as versões não são comparáveis: a simplificada não vê confiabilidade, segurança, conforto nem ambiente, e mede cobertura sem exigir frequência.


12. Pré-requisitos de implantação

Da leitura do quadro da seção 10, três providências condicionam a maior parte das métricas e devem preceder qualquer cálculo:

Pré-requisito Métricas que desbloqueia Responsável
GTFS estático publicado pelo sistema A-01, A-02, C-01, C-02, F-01, F-03, F-05 e, indiretamente, todas as que usam lugares-km Titular, com apoio técnico do art. 20
Cadastro de frota individualizado validado no RENAVAM V-01, V-02, V-05, E-01, E-02 e a capacidade em F-01 Titular fornece; União valida por acordo com SENATRAN
Método padronizado de inferência de desembarque F-01 nos dois lados, S-01 e E-03/E-04 na versão madura, agregações por passageiros-km União, como especificação técnica do PNDTPC

Em seguida, quatro registros a criar no módulo cadastral do PNDTPC, sem os quais C-03, S-01, S-02, F-02 e F-04 não existem: registro de interrupções, registro de sinistros com vítima, registro de ocorrências de segurança pessoal e cadastro de infraestrutura de pontos e terminais.

As fichas técnicas de todas as métricas, no modelo do Anexo I, seção 5, são o produto documental que precede a consulta pública.


13. Definições pendentes do dicionário de dados

Pico, período de referência, dias excluídos, embarques, raio de cobertura por rede de pedestres, unidade de cálculo, arredondamento e selo de origem do dado estão definidos na seção 9. Os termos abaixo precisam ser fixados pelo dicionário de dados antes de sua publicação.

Termo Onde aparece O que falta definir
Viagem e passageiro C, F, produtividade Viagem programada é a do GTFS (trip). Passageiro é embarque; com integração, um deslocamento gera dois ou três embarques. A limitação está declarada na seção 9, mas o painel de produtividade precisa de regra de conversão para IPK comparável entre sistemas com e sem integração
Gratuidades F-01, M, produtividade Idosos e outros beneficiários frequentemente não validam. Método padronizado de estimativa da parcela não validada, por sistema
Interrupção não programada C-03 Limiar mínimo (proposta: interrupção total de linha por mais de 2 horas, ou de mais de 20% da rede por qualquer período); regra de contagem para greve e para evento externo (enchente, bloqueio)
Frota operante, cadastrada e reserva V Definições excludentes, com regra para veículo em manutenção programada versus quebrado
Idade do veículo V-01, V-02 Data de fabricação, de primeiro emplacamento ou de entrada no sistema. Proposta: ano de fabricação do RENAVAM, por ser verificável
Terminal e estação F-02 O que distingue terminal de ponto de parada com abrigo, para efeito de exigência sanitária
Ocorrência de segurança pessoal S-02 Tipologia única e base de registro (ouvidoria do titular, canal do operador, boletim de ocorrência), para que contagens sejam comparáveis
Sistema Todos Fronteira entre sistema municipal, intermunicipal e metropolitano, para efeito de unidade de cálculo e de enquadramento em S1 a S4
Serviço complementar F-01 Critério objetivo de enquadramento para a faixa própria de ociosidade (documento principal, 6.4.1 e seção 14)

Proposta técnica da CGDI/DEREG/SEMOB/MCID. Pesos, pisos e valores de referência são indicativos até sua fixação por portaria, após consulta pública e calibração no piloto.