Anexo I — Matriz de origem dos dados por métrica

Rastreabilidade de cada variável do IQTPC

Documento principal: Parâmetros nacionais de qualidade do transporte público coletivo Finalidade: descer ao nível da variável, que é o nível em que o cálculo acontece ou não acontece. O documento principal (seção 11) resume a fonte por subíndice; o Manual (seção 10) classifica cada métrica por origem predominante; este anexo rastreia cada variável e classifica a viabilidade de cada métrica Natureza: matriz de rastreabilidade e modelo de ficha técnica


Sumário

  1. Por que a fonte precisa estar no nível da variável
  2. Classificação de viabilidade
  3. Matriz completa
  4. Balanço: o que é calculável e quando
  5. Modelo de ficha técnica de indicador
  6. Fichas de exemplo
  7. Consequências para o desenho

1. Por que a fonte precisa estar no nível da variável

Um indicador é uma razão entre variáveis, e cada variável tem origem própria, periodicidade própria e limitação própria. Dizer que o subíndice de segurança vem “de registros do titular e do SIM/DATASUS” não informa que o numerador não identifica o sistema e o denominador não existe. O SNIS e o SINISA resolvem isso com ficha técnica por indicador, com código, fórmula, unidade, origem de cada variável, periodicidade e restrições de uso. É esse padrão que o IQTPC adota, e este anexo é o primeiro passo.

Os códigos das métricas seguem o Manual de cálculo. As quatro origens (FC, PA, PC e PU) estão definidas no Manual, seção 3.


2. Classificação de viabilidade

Classe Significado
V1, calculável hoje Todas as variáveis existem em base acessível à União, sem novo dado do ente, ou passam a existir com o acordo com o SENATRAN. Pode ser computado centralmente já no piloto
V2, exige plataforma Depende de dado operacional automatizado (GTFS-RT, AVL, bilhetagem) ingerido pelo PNDTPC. Calculável apenas nos sistemas integrados
V3, declaratório Depende de informação prestada pelo titular ou operador em cadastro ou sistema já existente, sem verificação automatizada. Calculável para todos, auditável por amostra
V4, exige criação de registro Não há fonte hoje. Requer instituir registro padronizado novo na plataforma
V5, sem fonte viável Não há caminho realista nos próximos três anos. Critério de exclusão do índice objetivo, aplicado ao conforto térmico e acústico
P Pesquisa de percepção (PeMOB Usuário)

Correspondência com a coluna “Situação” do Manual: V1 e os declaratórios já existentes correspondem a existe; V2 e os declaratórios cujo fluxo falta padronizar correspondem a a implantar; V4 e P correspondem a a criar.


3. Matriz completa

Fator A, acesso e disponibilidade

Código Métrica Variáveis Origem de cada variável Classe
A-01 Cobertura espacial e de frequência População urbana por célula; localização de paradas e estações; intervalo no pico por parada; rede de pedestres Grade estatística do Censo 2022 (IBGE); GTFS estático (stops, stop_times, frequencies); OpenStreetMap V1 onde há GTFS. Na versão simplificada, V3 (traçado sem horário, fornecido pelo titular)
A-02 Acessibilidade a oportunidades Empregos formais georreferenciados; tempo de viagem por TPC entre células RAIS georreferenciada; roteamento sobre GTFS e rede de pedestres, conforme metodologia do Projeto Acesso a Oportunidades (IPEA) V1 nas RMs cobertas pelo IPEA; V1 com processamento central nas demais com GTFS

Subíndice C, confiabilidade

Código Métrica Variáveis Origem de cada variável Classe
C-01 Cumprimento de viagens Viagens programadas; viagens realizadas GTFS estático (trips); GTFS-RT ou AVL (viagem detectada por passagem em ao menos 80% dos pontos de controle) V2
C-02 Pontualidade Horário programado por partida; horário real GTFS estático (stop_times); AVL V2
C-03 Continuidade Interrupções não programadas com linha, início, fim e causa; passageiros habituais das linhas afetadas Não há fonte. Registro obrigatório do titular na plataforma, validado por inferência sobre AVL (ausência de veículos em linha por período superior a limiar); bilhetagem histórica V4 (registro), com validação V2
C-04 Regularidade de intervalo Intervalos observados entre veículos sucessivos em linhas com intervalo programado de até 10 min AVL V2

Subíndice S, segurança

Código Métrica Variáveis Origem de cada variável Classe
S-01 Sinistros com vítima Óbitos e lesões graves em sinistros com veículo do sistema; quilômetros rodados (versão inicial); passageiros-quilômetro (versão madura) Numerador: o SIM/DATASUS identifica ocupantes de ônibus (CID-10 V70 a V79) mas não separa ônibus de caminhão em atropelamentos (V04) e não identifica sistema ou operador; boletins de ocorrência têm formato heterogêneo por UF; o registro de sinistros do operador é a única fonte que identifica o sistema. Denominador: quilômetros do AVL; passageiros-quilômetro só existem com inferência de desembarque V4 para o numerador (registro padronizado, cruzado por amostra com SIM, SIH e boletins); V2 para o denominador
S-02 Ocorrências de segurança pessoal Ocorrências de importunação, assédio, injúria e discriminação; embarques Ouvidoria do titular, canal do operador e boletins de ocorrência têm definições distintas e não há consolidação nacional; embarques da bilhetagem V4 (registro padronizado na plataforma, com tipologia única); V2 para o denominador
S-03 Canais de denúncia Existência do canal; data de registro e de resposta por manifestação Cadastro do titular; sistema de ouvidoria do titular V3

Subíndice P, percepção

Código Métrica Origem Classe
P-01 a P-10 Dimensões do núcleo comum PeMOB Usuário (Anexo II) P

Subíndice F, conveniência e conforto

Código Métrica Variáveis Origem de cada variável Classe
F-01 Adequação da oferta, lado superlotação Passageiros a bordo por trecho e viagem; área útil do veículo Bilhetagem (embarques) com desembarque inferido; cadastro de frota (tipologia e área). Alternativa: pesquisa visual de ocupação em pontos de controle V2 com método de inferência; V3 por pesquisa visual
F-01 Adequação da oferta, lado ociosidade Passageiros-quilômetro; lugares-quilômetro Bilhetagem com inferência de desembarque; GTFS mais cadastro de frota V2 com método de inferência
F-02 Salubridade Resultado de vistorias de limpeza; inventário de terminais e estações com sanitário e água potável Fiscalização do titular, sem padrão nacional; cadastro de infraestrutura do titular, inexistente na maioria dos sistemas V4 (cadastro de infraestrutura a criar), com vistoria V3 e verificação amostral
F-03 Tempo de viagem relativo Tempo porta a porta por TPC entre pares origem-destino; tempo por automóvel nos mesmos pares Roteamento sobre GTFS e rede de pedestres (r5r ou equivalente); roteamento sobre rede viária OpenStreetMap com velocidades de tráfego (fonte comercial ou OSRM) V1, calculável centralmente
F-04 Condições de espera Abrigo, assento e iluminação por ponto de parada; embarques por ponto O GTFS (stops.txt) não traz esses atributos; cadastro de pontos do titular, raro; bilhetagem V4 (cadastro de pontos a criar)
F-05 Informação ao passageiro Existência de GTFS público, aplicativo, sítio; informação física nos pontos Verificação central (GTFS publicado, aplicativo listado); cadastro de pontos com verificação amostral em campo V1 para o digital; V3 para o físico
F-06 Atendimento a manifestações Manifestações registradas; tempo até resposta; resolução Sistema de ouvidoria do titular; o Fala.BR só cobre entes que aderiram V3, padronizável

Conforto térmico e acústico (temperatura e ruído internos em operação) exigiria sensores embarcados ou medição amostral instrumentada. Classe V5; não integra o índice objetivo.

Subíndice V, frota

Código Métrica Variáveis Origem de cada variável Classe
V-01 Idade média Ano de fabricação por veículo Cadastro de frota com placa e chassi, validado no RENAVAM (SENATRAN) V1 após acordo com SENATRAN; V3 antes
V-02 Cauda de frota envelhecida Idade por veículo; limite regulamentar local Idem; regulamento do titular V1 após acordo; V3 antes
V-03 Disponibilidade operacional Veículos com posição no pico; frota cadastrada AVL; cadastro V2
V-04 Frota reserva Frota reserva declarada; frota operante Cadastro (declarado); AVL V2, com numerador V3
V-05 Acessibilidade universal Atributo por veículo Cadastro de frota e vistoria do titular; o RENAVAM não registra acessibilidade V3

Subíndice E, ambiental

Código Métrica Variáveis Origem de cada variável Classe
E-01 Eletrificação Tipo de tração por veículo Cadastro de frota; o RENAVAM registra combustível e tração V1 após acordo com SENATRAN
E-02 Combustíveis renováveis Combustível por veículo Idem V1 após acordo
E-03 Emissões locais Quilometragem por tipo de veículo; fatores de emissão; passageiros-quilômetro ou embarques AVL; fatores CETESB; denominador inferido ou embarques V2, com denominador dependente de inferência
E-04 Emissões de GEE Idem AVL; fatores do Inventário Nacional; idem V2, com denominador dependente de inferência
E-05 Cumprimento de meta própria Meta de emissões no planejamento; emissões apuradas PlanMob ou plano do art. 9º (declaratório); E-04 V3

Subíndice M, modicidade

Código Métrica Variáveis Origem de cada variável Classe
M-01 Esforço tarifário Tarifa vigente; renda domiciliar per capita do primeiro quintil Cadastro tarifário (declaratório, atualizado por evento); Censo 2022 por setor censitário (a PNAD Contínua não tem estimativa municipal universal) V1 com cadastro tarifário
M-02 Comparação intermodal Custo mensal por TPC; custo mensal por automóvel em viagem equivalente Tarifa; modelo central com preço de combustível (ANP), consumo médio e distância típica V1, calculável centralmente com modelo
M-03 Integração tarifária Existência e regras de integração Cadastro tarifário V3
M-04 Sustentação extratarifária Receita tarifária; subsídio e outras fontes Dados contratuais e financeiros do titular; a PeMOB já pergunta V3

4. Balanço: o que é calculável e quando

Classe Métricas Códigos Leitura
V1, calculável hoje 9 A-01, A-02, F-03, V-01, V-02, E-01, E-02, M-01, M-02 Sete das nove dependem do GTFS ou do cadastro de frota validado no SENATRAN, o que confirma que esses dois são os pré-requisitos de tudo
V2, exige plataforma 8 C-01, C-02, C-04, F-01, V-03, V-04, E-03, E-04 Quatro delas (F-01, E-03, E-04 e a versão madura de S-01) dependem de inferência de desembarque, que é método a padronizar antes de qualquer cálculo
V3, declaratório 7 S-03, F-05, F-06, V-05, E-05, M-03, M-04 Calculáveis para todos os sistemas, com valor probatório baixo até haver auditoria
V4, exige criação de registro 5 C-03, S-01, S-02, F-02, F-04 Três delas estão no bloco de maior peso do índice (C e S somam 0,40 do fator D)
V5, sem fonte viável 0 Critério aplicado ao conforto térmico e acústico, excluído do índice objetivo
P, pesquisa 1 P-01 a P-10 Depende da PeMOB Usuário
Total 30 29 métricas objetivas e o bloco P, conforme Manual, seção 10

Dois achados que o balanço torna visíveis:

Primeiro. O subíndice S, com peso 0,18, tem dois de três componentes na classe V4. O bloco C e S, que soma 0,40 do fator D, depende de registros que hoje não existem em forma padronizada.

Segundo. A inferência de desembarque não é detalhe técnico: é pré-condição de quatro métricas em três subíndices e de todas as agregações por passageiros-quilômetro. É tratada como entregável de primeira ordem do PNDTPC, ao lado do GTFS e do cadastro de frota (Manual, seção 12).


5. Modelo de ficha técnica de indicador

Padrão a ser adotado para cada uma das 29 métricas objetivas e para o bloco de percepção, inspirado nas fichas do SINISA.

Campo Conteúdo
Código Identificador único (por exemplo, S-01)
Nome Denominação do indicador
Subíndice e peso interno Onde entra e com que peso
Base legal Dispositivo da Lei nº 15.432/2026 que fundamenta
Definição O que o indicador mede, em uma frase
Fórmula Expressão algébrica com as variáveis nomeadas
Variáveis Uma linha por variável: nome, código, unidade, origem, responsável pelo fornecimento, periodicidade, método de validação
Unidade e sentido Unidade do resultado; se maior é melhor, menor é melhor ou bilateral
Valores de referência Piso e referência para normalização, por modo e porte quando aplicável
Classe de viabilidade V1 a V5 ou P
Período de referência Ano civil, dias úteis, pico etc.
Limitações conhecidas O que o indicador não capta ou capta mal
Riscos de manipulação Vetor conhecido e trava
Situação Ativo, piloto, suspenso

6. Fichas de exemplo

S-01, Sinistros com vítima envolvendo veículos de TPC

Campo Conteúdo
Subíndice e peso S, 0,45
Base legal Art. 31, III; art. 16, IX
Definição Taxa de óbitos e lesões graves em sinistros de trânsito com envolvimento de veículo do sistema, por unidade de exposição
Fórmula, versão inicial (Óbitos + lesões graves em sinistros com veículo do sistema no ano) ÷ (quilômetros rodados no ano ÷ 1.000.000)
Fórmula, versão madura Idem, com denominador em passageiros-quilômetro ÷ 100.000.000
Variável 1 Óbitos em sinistros com veículo do sistema. Origem: registro padronizado de sinistros com vítima, a instituir na plataforma, preenchido pelo operador e validado pelo titular, com placa do veículo, data, local e vítimas. Validação: cruzamento amostral com SIM/DATASUS (CID-10 V70 a V79 e V04) por município e data, e com boletins de ocorrência onde disponíveis. Periodicidade: contínua, consolidação anual
Variável 2 Lesões graves. Mesma origem. Definição de “grave”: internação hospitalar, validável por amostra no SIH/DATASUS
Variável 3 (versão inicial) Quilômetros rodados no ano. Origem: AVL, via PNDTPC. Periodicidade: contínua. Os contratos vigentes já costumam exigir esta medida
Variável 4 (versão madura) Passageiros-quilômetro. Origem: bilhetagem com inferência de desembarque por método padronizado pelo PNDTPC
Sentido Menor é melhor
Valores de referência A calibrar no piloto, por modo
Classe V4 (numerador), V2 (denominador)
Limitações Não distingue responsabilidade pelo sinistro (adequado para o índice de sistema; inadequado para o de operador, documento principal, seção 4); depende de registro pelo próprio operador, com incentivo à subnotificação; comparabilidade entre modos exige tabela própria
Risco e trava Subnotificação. Trava: cruzamento amostral com SIM e SIH, com penalização por divergência acima de limiar
Situação Não calculável até instituição do registro

C-03, Continuidade do serviço

Campo Conteúdo
Subíndice e peso C, 0,20
Base legal Art. 31, I; art. 3º, IV
Definição Intensidade das interrupções não programadas do serviço, ponderada por passageiros afetados e duração
Fórmula Σ (passageiros habituais das linhas afetadas × horas de interrupção) ÷ (horas-passageiro ofertadas no ano), expressa em horas-passageiro perdidas por mil horas-passageiro ofertadas
Variável 1 Interrupções: linha, início, fim, causa. Origem: registro obrigatório do titular na plataforma, a instituir, com limiar mínimo proposto (interrupção total de linha por mais de 2 horas, ou de mais de 20% da rede por qualquer período). Validação: inferência por AVL (ausência de veículos em linha)
Variável 2 Passageiros habituais da linha. Origem: bilhetagem, média dos 12 meses anteriores
Sentido Menor é melhor
Valores de referência Piso 5,0; referência 0,2 (ônibus)
Classe V4, com validação V2
Limitações Greve é interrupção não programada do ponto de vista do usuário; o tratamento (contar ou não) é definição pendente do dicionário de dados (Manual, seção 13). Interrupção por evento externo (enchente) idem
Situação Não calculável até instituição do registro

F-03, Tempo de viagem por TPC em relação ao automóvel

Campo Conteúdo
Subíndice e peso F, 0,17
Base legal Art. 16, VI; art. 5º, VI
Definição Razão entre o tempo porta a porta médio por TPC e por automóvel para uma amostra padronizada de pares origem-destino
Fórmula Média ponderada por população de [tempo TPC (i,j) ÷ tempo automóvel (i,j)] sobre pares (i,j) amostrados
Variável 1 Tempo por TPC. Origem: roteamento multimodal sobre GTFS estático mais rede de pedestres (OpenStreetMap), com ferramenta r5r ou equivalente, calculado centralmente pela União
Variável 2 Tempo por automóvel. Origem: roteamento sobre rede viária OpenStreetMap com velocidades de tráfego em horário de pico; fonte de velocidades a definir (dado comercial ou estimativa por OSRM com penalização)
Variável 3 Pares origem-destino. Origem: amostra de células da grade estatística, ponderada por população, com destinos nos principais polos de emprego (RAIS)
Sentido Menor é melhor
Valores de referência Piso 3,0; referência 1,5
Classe V1
Limitações Usa tempo programado, não realizado; sistema com GTFS otimista pontua melhor que a realidade. Mitigação: usar tempos do AVL onde disponíveis
Situação Calculável no piloto para todo sistema com GTFS

7. Consequências para o desenho

1. Três entregáveis de primeira ordem condicionam a maioria das métricas: GTFS publicado, cadastro de frota validado no SENATRAN e método padronizado de inferência de desembarque. Sem os três, o índice calculável se reduz a M e a parte de A e V (Manual, seção 12).

2. O piloto é desenhado sobre as classes V1 e V2, com os componentes V3 publicados separadamente como declaratórios e os V4 substituídos por versões provisórias (como a taxa de sinistros por quilômetro) até que os registros existam.

3. A classe V5 é critério permanente de exclusão. Componente sem fonte viável nos próximos três anos não entra no índice objetivo e migra para a percepção ou para o painel diagnóstico (documento principal, 14.6).

4. As fichas técnicas das 27 métricas restantes são o produto documental que falta antes da consulta pública (documento principal, seção 14). Sem elas, a consulta receberá a pergunta que motivou este anexo, e não terá resposta.


Proposta técnica da CGDI/DEREG/SEMOB/MCID. A classificação de viabilidade depende de confirmação com as fontes indicadas; pesos, pisos e valores de referência são indicativos até sua fixação por portaria.