Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana
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Painel · Dados do Transporte Público Coletivo

Dados do transporte público coletivo:
o que temos, o que falta e por que necessitamos de uma plataforma.


Coordenação-Geral de Desenvolvimento Institucional · DEREG/SEMOB Julho de 2026
Abertura
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Quantos passageiros o transporte público coletivo brasileiro transportou no ano passado?

Temos uma estimativa. Não temos a contagem.


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Dados do TPC · Diagnóstico
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01
Parte 01

O que temos

O setor não está no escuro. Existe dado, e existe dado bom. O que não existe é convergência entre o que já se produz.


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01O que temos
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O problema não é ausência de dado.

É fragmentação. Cada base tem seu recorte, sua metodologia, sua periodicidade e seu dono, e não há chave comum entre elas.

Levantamentos estruturados
  • Pemob, Pesquisa Nacional de Mobilidade Urbana, municipal e metropolitana
  • Simob, da ANTP
  • Levantamentos setoriais da NTU
  • IBGE, Munic e Censo Demográfico
  • Estudos do Ipea
Dado que já é gerado todo dia
  • Bilhetagem eletrônica, validações por linha e por horário
  • GPS e AVL embarcados, posição da frota em operação
  • Centrais de controle operacional
  • GTFS, onde a cidade já publica
  • Esse dado existe. Ele simplesmente não circula.

Temos muitos retratos parciais e nenhum retrato nacional confiável.


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01O que temos
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A Pemob é o que temos
de mais sistemático.

Único levantamento federal continuado sobre o setor, realizado no nível municipal desde 2018 e no metropolitano desde 2019.

Série histórica
2018

Início do levantamento municipal. A partir de 2019, também metropolitano, junto a governos estaduais e órgãos gestores.

Corte do universo
250 mil hab.

Somente municípios acima desse porte compõem o universo de respondentes.

Adesão
82/122

Resposta voluntária. O conjunto de respondentes muda a cada edição.

Ela entregou o que uma pesquisa declaratória pode entregar. E é esse o ponto: chegamos ao limite do instrumento.


Fonte: Pemob 2025, SEMOB/MCID.
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02
Parte 02

O que falta

Cinco limites que não decorrem da execução da pesquisa, e sim da natureza do instrumento.


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02O que falta
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Cinco limites do instrumento

01
Universo restrito
Somente municípios acima de 250 mil habitantes, 122 ao todo, cerca de 4% dos 2.962 municípios atendidos por transporte coletivo no país.
02
Adesão voluntária e cobertura instável
Como o conjunto de respondentes muda a cada edição, a série histórica não é rigorosamente comparável consigo mesma.
03
Natureza declaratória
Informação autodeclarada, sem rastreabilidade até a fonte primária e sem validação automática.
04
Granularidade e tempestividade
Agregados anuais publicados com defasagem. Não descem à linha, à viagem, à parada ou à faixa horária.
05
Custo de responder sem retorno
O município gasta esforço técnico para preencher e não recebe nada de volta que melhore a gestão dele.

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02O que falta
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O universo consultado
é menor do que parece

Os 5.570 municípios brasileiros, em uma única linha. A comparação que importa não é com o país inteiro, é com o conjunto que já opera transporte coletivo.

5.570 municípios brasileiros
2.962 municípios atendidos por transporte coletivo
2.608
2.840
122 consultados pela Pemob, 2,2% do país
Sem atendimento por transporte coletivo. Quase metade do país.
Atendidos, porém fora do universo consultado.
Dentro do universo da Pemob.

O levantamento federal alcança cerca de 4% dos municípios atendidos por transporte coletivo por ônibus.


Fontes: Anuário NTU 2024-2025, a partir da Munic/IBGE 2020 e do Censo Demográfico 2022 · Pemob 2025, SEMOB/MCID.
02O que falta
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Dentro do universo,
a cobertura ainda é parcial

A resposta é voluntária. Uma variação entre duas edições pode significar mudança na realidade ou apenas mudança em quem respondeu.

Ampliação da fatia consultada: os 122 municípios elegíveis
82 responderam
40 não responderam
13 governos estaduais prestaram informações
29 regiões metropolitanas cobertas
O levantamento metropolitano tem universo próprio, distinto do municipal.

Cobertura que muda de ano para ano compromete a comparabilidade da própria série histórica.


Fonte: Pemob 2025, SEMOB/MCID.
02O que falta
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Nenhuma pesquisa alcança esse volume

A distância entre o que a pesquisa coleta e o que a operação já gera não é de esforço. É de escala.

122
formulários, é o que a Pemob coleta em um ano inteiro
Registros de posição gerados pela própria operação
2.200
em um único ônibus, em um único dia
230 milhões
na frota nacional, em um único dia
84 bilhões
na frota nacional, ao longo de um ano

E o volume é só metade do problema. Um número digitado uma vez por ano não pode ser auditado, reprocessado nem corrigido. Um registro pode.


Estimativa: frota nacional de 107 mil veículos (Anuário NTU 2024-2025), um registro a cada 30 segundos, 18 horas de operação por dia.
02O que falta
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Declaração não é registro

São instrumentos de naturezas distintas, e a diferença aparece exatamente quando o dado precisa sustentar uma decisão financeira.

Pesquisa declaratóriaInstrumento atual
Preenchimento manual em formulário
Sem rastreabilidade até a fonte primária
Periodicidade anual, com defasagem
Agregado municipal, sem desagregação
Registro administrativoO que a decisão exige
Captura automatizada no sistema de origem
Origem verificável, com validação automática
Fluxo contínuo, próximo do tempo real
Granularidade por linha, viagem e horário

Dado que embasa decisão financeira precisa ser auditável. Essa é a fronteira que separa os dois instrumentos.


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03
Parte 03

O que a lacuna custa

A limitação é técnica. A consequência é orçamentária.


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03O que a lacuna custa
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Quatro perguntas que hoje
não têm resposta

Todas elas precedem uma decisão de gasto público. Nenhuma delas pode ser respondida com o instrumento que temos.

01 Quanto custa, hoje, transportar um passageiro?
apenas estimativa declaratória
02 Quais áreas da cidade têm menos acesso ao serviço?
apenas totais por município
03 O que mudou onde já houve investimento?
sem linha de base comparável
04 De onde veio cada número que sustenta a decisão?
sem origem verificável

Não é um problema de estatística. É um problema de capacidade de decidir.


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04
Parte 04

O que é necessário

Ampliar a pesquisa resolveria o primeiro limite. Não resolveria os outros quatro.


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04O que é necessário
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Por que não basta
uma pesquisa maior

Se apenas ampliarmos
O que continua igual
01Mais municípios no universo consultado
Resolve o primeiro limite, e apenas ele
02Mais respondentes, com campanha de adesão
O dado segue autodeclarado, sem rastreabilidade
03Questionário mais detalhado
Mais campos, mesmo nível de agregação
04Mesma periodicidade anual
Segue sendo retrato, e não monitoramento
05Mais perguntas ao gestor municipal
Aumenta o custo de responder, sem retorno

O limite não é de escala. É de instrumento.


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04O que é necessário
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Cinco requisitos, um para cada limite

01
Captura na origem
Coletar o dado dos sistemas que já o produzem, bilhetagem e localização automática de veículos, em vez de pedir que alguém o digite.
02
Fluxo contínuo
Substituir o retrato anual por monitoramento, condição para calibrar subsídio, tarifa e política de gratuidade.
03
Granularidade
Descer à linha, à viagem, ao horário e ao território, sem o que não existe avaliação de qualidade nem de equidade.
04
Interoperabilidade
Padrão comum que converse com as demais bases da administração pública, em vez de produzir mais um arquivo isolado.
05
Contrapartida ao ente
Quem compartilha dado recebe de volta análise e capacidade de gestão. É isso que sustenta a adesão ao longo do tempo.

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04O que é necessário
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Um instrumento que reúne os cinco requisitos

Não é uma pesquisa.
É uma plataforma nacional de dados.

Plataforma no sentido técnico do termo. É esse o instrumento que está sendo proposto.


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Encerramento
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Nenhuma política pública
chegou longe sem a sua base de dados

Saúde
DATASUS

Registro contínuo que tornou possível distribuir recurso por critério objetivo e avaliar resultado.

Educação
Censo Escolar

Coleta obrigatória e anual que virou base do financiamento e da avaliação da política educacional.

Mobilidade urbana
Ainda não

É a grande política urbana brasileira que ainda não dispõe de sistema nacional de informação equivalente.

A mobilidade urbana é a grande política urbana brasileira que ainda não tem a sua.


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Medir não é burocracia.
É condição para decidir.

Muito obrigado.

Ramson Aragão Gois
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