Quantos passageiros o transporte público coletivo brasileiro transportou no ano passado?
Temos uma estimativa. Não temos a contagem.
O setor não está no escuro. Existe dado, e existe dado bom. O que não existe é convergência entre o que já se produz.
É fragmentação. Cada base tem seu recorte, sua metodologia, sua periodicidade e seu dono, e não há chave comum entre elas.
Temos muitos retratos parciais e nenhum retrato nacional confiável.
Único levantamento federal continuado sobre o setor, realizado no nível municipal desde 2018 e no metropolitano desde 2019.
Início do levantamento municipal. A partir de 2019, também metropolitano, junto a governos estaduais e órgãos gestores.
Somente municípios acima desse porte compõem o universo de respondentes.
Resposta voluntária. O conjunto de respondentes muda a cada edição.
Ela entregou o que uma pesquisa declaratória pode entregar. E é esse o ponto: chegamos ao limite do instrumento.
Cinco limites que não decorrem da execução da pesquisa, e sim da natureza do instrumento.
Os 5.570 municípios brasileiros, em uma única linha. A comparação que importa não é com o país inteiro, é com o conjunto que já opera transporte coletivo.
O levantamento federal alcança cerca de 4% dos municípios atendidos por transporte coletivo por ônibus.
A resposta é voluntária. Uma variação entre duas edições pode significar mudança na realidade ou apenas mudança em quem respondeu.
Cobertura que muda de ano para ano compromete a comparabilidade da própria série histórica.
A distância entre o que a pesquisa coleta e o que a operação já gera não é de esforço. É de escala.
E o volume é só metade do problema. Um número digitado uma vez por ano não pode ser auditado, reprocessado nem corrigido. Um registro pode.
São instrumentos de naturezas distintas, e a diferença aparece exatamente quando o dado precisa sustentar uma decisão financeira.
Dado que embasa decisão financeira precisa ser auditável. Essa é a fronteira que separa os dois instrumentos.
A limitação é técnica. A consequência é orçamentária.
Todas elas precedem uma decisão de gasto público. Nenhuma delas pode ser respondida com o instrumento que temos.
Não é um problema de estatística. É um problema de capacidade de decidir.
Ampliar a pesquisa resolveria o primeiro limite. Não resolveria os outros quatro.
O limite não é de escala. É de instrumento.
Não é uma pesquisa.
É uma plataforma nacional de dados.
Plataforma no sentido técnico do termo. É esse o instrumento que está sendo proposto.
Registro contínuo que tornou possível distribuir recurso por critério objetivo e avaliar resultado.
Coleta obrigatória e anual que virou base do financiamento e da avaliação da política educacional.
É a grande política urbana brasileira que ainda não dispõe de sistema nacional de informação equivalente.
A mobilidade urbana é a grande política urbana brasileira que ainda não tem a sua.
A apresentação é widescreen (16:9). Na horizontal ela ocupa a tela inteira.